Era uma vez...?... Ou duas vezes?!?!...
O meu amigo magro, de olhar parabólico, que subia no telhado p’ra olhar a vizinha tomando banho na caixa d’água, estava cantarolando uma daquelas modas antigas, que os surfistas caipiras ouviam à beira do mar. Ele estava noivo de sua noiva que era uma moçoila jovem de pouca idade que tinha um toque de juventude em seu olhar imaturo.
Passa dia, passa mês, passa minuto... Só não passa aquele amor que ele não sente enquanto fuma um cigarrão de páia sentado na porteira do curral que lembra sua casa, devido à sujeira.
Ele se levantou, andou sem contar os passos e entrou em sua humilde casa que estava limpa, ou por um milagre divino, ou porque sua noiva, de quem era noivo, resolvera limpá-la. Parou, pensou e ajoelhou-se no oratório para agradecer a Deus caso aquilo fosse um milagre. Acendeu velas de sete dias e rezou...
O amigo magro, de olhar parabólico, levantou-se após alguns instantes e saiu. Não se despediu, nem se despiu, nem sequer cuspiu no chão como era seu costume. Não levou anzol para pescar cardumes, nem lanterna p’ra brincar de vagalume... Simplesmente saiu. Não levou cigarro, nem palha, nem fumo... Fugiu de casa, saiu sem rumo.
(Eder Orsolin - 09/05/2001)